Dr. Rafael Lima Psiquiatria · Psicogeriatria Agendar uma consulta

Condição · dor persistente

Quando conviver com dor virou parte da sua rotina.

A dor começou no corpo. Com o tempo, passou a interferir em praticamente todo o resto: no sono, na disposição, na paciência, na concentração e naquilo que você ainda se permite planejar. Reconhecer isso não é dizer que a dor é psicológica. É tratar aquilo que a dor também produziu.

Reconhecimento

O que quase nunca aparece no exame, mas aparece todos os dias

Antes de falar de diagnóstico, vale falar de experiência. Se boa parte da lista abaixo descreve a sua rotina, existe motivo clínico para uma avaliação.

  • Acordar cansado, mesmo tendo dormido.
  • Sentir dor mesmo depois de descansar.
  • Reduzir atividades por medo ou expectativa da dor.
  • Dificuldade para pegar no sono ou para se manter dormindo.
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória recente.
  • Irritabilidade com coisas que antes não incomodavam.
  • Desânimo e perda de iniciativa.
  • Sensação de não ser compreendido, inclusive por profissionais.
  • Impacto no trabalho e na produtividade.
  • Impacto nos relacionamentos e na vida social.
  • Redução da autonomia em tarefas simples.
  • Vida organizada em torno de dias bons e dias ruins.

A fibromialgia é um problema psicológico?

Não. É uma condição clínica reconhecida, com alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso.

A fibromialgia se caracteriza por dor difusa persistente associada a fadiga, alterações do sono e queixas cognitivas. Isso é bem diferente de dizer que a dor é imaginada.

O que a psiquiatria trata são as repercussões que a dor persistente produz, sono, humor, ansiedade, atenção, disposição, e que, por sua vez, tendem a intensificar a própria dor. Ignorar essa parte do quadro deixa metade do problema sem tratamento.

Fibromialgia pode piorar ansiedade e depressão?

Sim, e a relação funciona nos dois sentidos.

Dor persistente prejudica o sono, reduz a atividade física, limita a vida social e o trabalho, e favorece sintomas ansiosos e depressivos. Esses sintomas, por sua vez, reduzem o limiar de dor e a capacidade de sustentar o tratamento.

Por isso a avaliação considera dor, sono e humor ao mesmo tempo, não como três assuntos que se resolvem em consultas paralelas que nunca conversam.

Por que a dor crônica interfere tanto no sono?

Porque ela fragmenta o sono e reduz sua fase mais reparadora, o que devolve mais dor no dia seguinte.

É essa a explicação para acordar cansado depois de horas na cama. E é por isso que tratar a insônia em quem convive com dor crônica não é detalhe acessório: costuma ser uma das intervenções com maior impacto na qualidade de vida.

Quando investigar insônia

O que a avaliação considera

Uma leitura conjunta da dor, do sono e do humor

A avaliação psiquiátrica não substitui o acompanhamento com reumatologia.

  1. História da dor

    Início, distribuição, intensidade, fatores de piora e melhora, e o que já foi investigado e tratado.

  2. Sono

    Latência, despertares, sensação de recuperação, ronco e sonolência diurna, e o que já foi usado para dormir.

  3. Humor, ansiedade e cognição

    Sintomas depressivos e ansiosos, irritabilidade, atenção e memória, com atenção ao que apareceu antes e depois da dor.

  4. Medicamentos em uso

    Revisão do que está sendo usado para dor, sono e humor, incluindo interações, doses e efeitos adversos.

Quando as estratégias habituais não foram suficientes, canabinoides podem entrar na discussão com pacientes selecionados, com critérios, formulação e dose individualizados. O que a avaliação sobre CBD considera

Dr. Rafael Gonçalves Lima, médico psiquiatra.

Dr. Rafael Gonçalves Lima

Médico psiquiatra e psicogeriatra. CRM-MG 55844 · RQE Psiquiatria 35868 · RQE Psicogeriatria 44875. Residência médica em Psiquiatria pelo Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, Rede FHEMIG. Títulos de especialista em Psiquiatria e em Psicogeriatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Aperfeiçoamento em Psiquiatria Geriátrica pelo IPq (HC/USP).

Referências

  • Macfarlane GJ, Kronisch C, Dean LE, et al. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Annals of the Rheumatic Diseases. 2017;76(2):318-328.
  • Clauw DJ. Fibromyalgia: a clinical review. JAMA. 2014;311(15):1547-1555.
  • Finan PH, Goodin BR, Smith MT. The association of sleep and pain: an update and a path forward. The Journal of Pain. 2013;14(12):1539-1552.

Agendamento

A dor não precisa ser provada para ser tratada.

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