Dr. Rafael Lima Psiquiatria · Psicogeriatria Agendar uma consulta

Modalidade terapêutica · casos selecionados

Quando a depressão não responde como esperado, a cetamina entra como possibilidade de tratamento.

A cetamina representa uma importante alternativa no tratamento da depressão resistente, com um mecanismo de ação diferente dos antidepressivos convencionais e potencial de resposta mais rápida.

Por que a cetamina é diferente dos antidepressivos convencionais?

A maioria dos antidepressivos tradicionais atua principalmente sobre sistemas relacionados à serotonina, noradrenalina ou dopamina.

A cetamina atua de maneira diferente, especialmente sobre o sistema do glutamato, envolvendo receptores NMDA e processos relacionados à neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de reorganizar conexões e adaptar seu funcionamento.

Essa diferença ajuda a explicar uma das características que mais despertaram interesse na psiquiatria: a possibilidade de uma resposta antidepressiva mais rápida.

Enquanto antidepressivos convencionais geralmente precisam de semanas para que seus efeitos sejam avaliados, estudos com cetamina demonstram que determinados pacientes podem apresentar melhora em um intervalo consideravelmente menor.

A cetamina deve ser considerada especialmente para pacientes que:

  • Já utilizaram diferentes antidepressivos sem alcançar a resposta esperada;
  • Apresentam recorrência apesar dos tratamentos realizados;
  • Tiveram apenas melhora parcial;
  • Possuem situações clínicas em que uma resposta mais rápida assume maior importância.
  • Presença de ideação suicida em contexto avaliado em consulta.

Como funciona o tratamento

Aplicação endovenosa, monitorada, em ambiente hospitalar

As informações abaixo descrevem o protocolo conduzido pelo Dr. Rafael.

Via e local

Endovenosa, no Hospital Santo Antônio

A aplicação é realizada no Hospital Santo Antônio, sempre sob acompanhamento do Dr. Rafael, com o paciente monitorado durante todo o procedimento.

Duração da sessão

Cerca de 90 minutos

Cada sessão dura em média 90 minutos, contados desde a chegada do paciente. É necessário acompanhante: o paciente não deve dirigir nem retornar sozinho.

Fase aguda

No mínimo oito aplicações

Em geral são realizadas, inicialmente, no mínimo oito aplicações na fase aguda, duas vezes por semana, ao longo de quatro semanas.

Perguntas objetivas

Como funciona a infusão de cetamina?

A cetamina é administrada em ambiente hospitalar, diretamente na veia, de forma lenta e controlada, enquanto o paciente permanece confortavelmente acomodado e monitorado pela equipe. Antes de iniciar, são verificados parâmetros como pressão arterial, frequência cardíaca e oxigenação. A medicação é então administrada por uma bomba de infusão, que permite controlar precisamente a velocidade e a quantidade recebida.

Do início da infusão até o momento da liberação, o objetivo é que o tratamento aconteça em um ambiente preparado para que a experiência seja conduzida com controle, acompanhamento e segurança.

A cetamina substitui antidepressivos?

Não. Ela entra dentro de um plano terapêutico, não no lugar dele.

A medicação de uso contínuo, quando indicada, e o acompanhamento psiquiátrico seguem necessários, inclusive para manter a resposta obtida. Interromper o tratamento de base por conta da cetamina costuma comprometer o resultado. O objetivo é buscar uma resposta que os tratamentos anteriores ainda não conseguiram proporcionar.

É necessário continuar o acompanhamento psiquiátrico?

Sim. O tratamento com cetamina não é um evento isolado.

A resposta precisa ser avaliada ao longo do tempo, a estratégia de manutenção precisa ser definida e ajustada, e as condições associadas, insônia, dor, ansiedade, uso de substâncias, seguem exigindo tratamento próprio.

A cetamina também pode ajudar quando a depressão chegou ao ponto de surgirem pensamentos de morte?

Esse é um dos aspectos mais importantes estudados na cetamina.

Ensaios clínicos e revisões sistemáticas mostram que a cetamina intravenosa pode produzir redução rápida da ideação suicida em alguns pacientes, com efeitos observados nas primeiras horas e dias após a administração. Uma revisão de ensaios randomizados encontrou vantagem da cetamina intravenosa sobre controle na redução rápida desses pensamentos em pacientes deprimidos.

Dr. Rafael Gonçalves Lima, médico psiquiatra.

Dr. Rafael Gonçalves Lima

Médico psiquiatra e psicogeriatra. CRM-MG 55844 · RQE Psiquiatria 35868 · RQE Psicogeriatria 44875. Residência médica em Psiquiatria pelo Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, Rede FHEMIG. Títulos de especialista em Psiquiatria e em Psicogeriatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Aperfeiçoamento em Psiquiatria Geriátrica pelo IPq (HC/USP).

Referências

  • Wilkinson ST, Ballard ED, Bloch MH, et al. The effect of a single dose of intravenous ketamine on suicidal ideation: a systematic review and individual participant data meta-analysis. American Journal of Psychiatry. 2018;175(2):150-158.
  • Sanacora G, Frye MA, McDonald W, et al. A consensus statement on the use of ketamine in the treatment of mood disorders. JAMA Psychiatry. 2017;74(4):399-405.
  • McIntyre RS, Rosenblat JD, Nemeroff CB, et al. Synthesizing the evidence for ketamine and esketamine in treatment-resistant depression. American Journal of Psychiatry. 2021;178(5):383-399.

Agendamento

A indicação de cetamina começa por uma consulta psiquiátrica.

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